EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL

"DO INSIGNIFICANTE AO SAGRADO” -

VILLA MANDAÇAIA

"DO INSIGNIFICANTE AO SAGRADO”

                                 

SIMONE BACELLAR

 

 

"SIMONE BACELLAR NASCEU E VIVEU EM BRASÍLIA  ATÉ OS 21 ANOS DE IDADE. O BIOMA DO CERRADO SE MANIFESTA NA OBRA DA ARTISTA ATRAVÉS  DE UMA PESQUISA QUE TEM COMO MATÉRIA PRIMA:  FOLHAS E GALHOS SECOS, CASCAS RETORCIDAS, CÁPSULAS DE SEMENTES ENTRE OUTROS “DEJETOS”NATURAIS ENCONTRADOS NO CHÃO. SIMONE RARAMENTE RECOLHE ESSE MATERIAL NO SOLO DE DENSAS FLORESTAS, MAS SIM NAS RUAS E PARQUES DE GRANDES CENTROS URBANOS, PRINCIPALMENTE EM BRASÍLIA E NO RIO DE JANEIRO, CIDADE ONDE HOJE MORA E SE DESENVOLVE COMO ARTISTA. EXISTE UMA SÉRIE DE ELEMENTOS QUE CHAMAM A ATENÇÃO NO SEU PROCESSO CRIATIVO E QUE QUESTIONAM A RELAÇÃO DAS CIDADES COM A NATUREZA NELAS PRESENTE E CONSEQUENTEMENTE TAMBÉM A NOSSA RELAÇÃO INDIVIDUAL COM A NOSSA PRÓPRIA NATUREZA.

 

AS FOLHAS QUE NATURALMENTE CAEM NO CHÃO DE UMA FLORESTA COMPLETAM O CICLO E ADUBAM O SOLO. APESAR DE FREQUENTEMENTE CERCADA OU CIMENTADA ATÉ O TRONCO, UMA ÁRVORE NA CIDADE NÃO SE COMPORTA DE FORMA DIFERENTE, PORÉM SUA FOLHA CAÍDA NÃO ADUBA NADA, E AO CONTRÁRIO, DESTOA. NO CONCRETO, A FOLHA CAÍDA VIRA OBJETO INSIGNIFICANTE E ATÉ MESMO INCONVENIENTE, TORNANDO A CALÇADA ESCORREGADIA, ENTUPINDO BUEIROS, ETC. ALÉM DE MATERIAIS VEGETAIS, SUAS COMPOSIÇÕES FAZEM USO FREQUENTE DE CORDAS, PENAS E OBJETOS DIVERSOS QUE A ARTISTA GARIMPA EM FEIRINHAS DE ANTIGUIDADES. O TRABALHO DA SIMONE BACELLAR CONDUZ O OLHAR PARA O QUE ESTÁ DEBAIXO DOS NOSSOS PÉS O TEMPO TODO, MAS QUE RARAMENTE PARAMOS PARA OBSERVAR. OBSERVAR A NATUREZA DAS ÁREAS URBANAS DESTA FORMA, NÃO É SOMENTE UM EXERCÍCIO ESTÉTICO. ENXERGAR ISSO DE VERDADE É SE IDENTIFICAR COMO UM SER DA NATUREZA E AO MESMO TEMPO UM HABITANTE DA CIDADE, QUE LIDA COM O DURADOURO E O FINITO. POIS SABEMOS QUE A CIDADE E SEU CONCRETO SERÃO MAIS DURADOUROS DO QUE A NOSSA EXISTÊNCIA NA TERRA E QUE SOMOS COMO AS FOLHAS E AS SEMENTES. DE CERTA FORMA, A SÉRIE “DO INSIGNIFICANTE AO SAGRADO”NOS CONVIDA A OLHAR PARA A NOSSA PRÓPRIA FINITUDE E ANALISAR COMO NOSSA SOCIEDADE LIDA COM ESSE FATO.

 

TUDO INDICA QUE NÃO APENAS RECUSAMOS A FINITUDE, MAS TENTAMOS SOLUCIONÁ-LA POR MEIO DA MAGIA DO SAGRADO. NESTE SENTIDO, AS PEÇAS EXPOSTAS RELEMBRAM A OBJETOS DIVINOS DE CULTURAS ANCESTRAIS E MUITAS DELAS PARECEM TER SIDO FEITAS PARA ADORNAR PESSOAS DURANTE RITUAIS, O QUE COLOCA O TRABALHO DA SIMONE NO ÂMBITO DA SIGNIFICAÇÃO, DO FETICHE E DA CONSTRUÇÃO DO SAGRADO COMO UMA FORMA DE REFLETIR SOBRE A CONTINUIDADE DO TEMPO. MAIS DO QUE UMA SIMPLES ASSEMBLAGE DE OBJETOS ORGÂNICOS, OU NÃO, QUE REMETEM A CULTURAS ANCESTRAIS, AS OBRAS PODEM SER VISTAS COMO UMA COLAGEM DE TEMPOS, TEMPOS QUE REMETEM AO PASSADO E QUE SE ENCONTRAM MUITO PRESENTES NO ASPECTO DOS MATERIAIS E O TEMPO FUTURO, QUE NA VERDADE É O FIM DO TEMPO, EVIDENCIADO PELO ASPECTO RITUALISTICO E MÁGICO DAS PEÇAS.

 

POR OUTRO LADO, SEU TRABALHO REVELA TAMBÉM UMA CERTA TENDÊNCIA ANTIGA NAS ARTES, MAS PRESENTE TAMBÉM NA ARTE CONTEMPORÂNEA, DE BUSCAR INSPIRAÇÃO NUM CERTO IDEAL DA ANCESTRALIDADE, COM REFERÊNCIAS DA ARTE TRIBAL E DIVERSAS ETNIAS. ACREDITAMOS QUE ESTAMOS DIANTE DE UM TRABALHO POÉTICO, CURIOSO, SINCERO E COM MUITA ALEGRIA RECEBEMOS A JOVEM ARTISTA SIMONE BACELLAR EM SUA PRIMEIRA EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL."

 

JOÃO MACHADO & ARASY BENITEZ

VILLA MANDAÇAIA